Inteligência Artificial

Nova onda de modelos abertos de inteligência artificial desafia o domínio das Big Techs

Nova onda de modelos abertos de inteligência artificial desafia o domínio das Big Techs

O mercado global de inteligência artificial passa por uma transformação significativa com o avanço dos modelos open-weight, que prometem rivalizar diretamente com as tecnologias das gigantes norte-americanas e dos principais concorrentes asiáticos. A startup americana Reflection AI, fundada por dois ex-pesquisadores do Google DeepMind em 2024, ingressou nesse cenário competitivo ao lançar o Beam, um modelo aberto voltado especialmente para o mercado corporativo e desenvolvedores focados na criação de agentes de inteligência artificial.

De acordo com a empresa, o sistema entrega um desempenho equiparado aos principais modelos chineses — como os desenvolvidos pela DeepSeek e pela Moonshot —, mas com um custo operacional substancialmente inferior aos serviços oferecidos por companhias como Anthropic e OpenAI. A Reflection AI conta com o apoio de investidores de peso, incluindo a Nvidia e a Sequoia, e recentemente concluiu uma rodada de financiamento que avaliou a startup em US$ 25 bilhões pré-money, embora o montante exato captado não tenha sido divulgado. A companhia informou que pretende disponibilizar em breve todos os detalhes técnicos e os pesos do sistema.

Enquanto empresas como Anthropic e OpenAI mantêm seus modelos fechados (closed-weight), acessíveis apenas por meio de nuvens proprietárias ou APIs específicas para maximizar o retorno financeiro, a categoria open-weight funciona de maneira análoga aos softwares de código aberto. Nesses modelos, a arquitetura e os parâmetros são tornados públicos, permitindo que desenvolvedores do mundo todo baixem a tecnologia e realizem adaptações personalizadas. A popularidade dessa abordagem é evidente no volume de processamento: os modelos abertos já respondem por quase 80% das tokens (unidades de informação) utilizadas, invertendo o cenário do início do ano, quando os sistemas fechados detinham essa fatia majoritária.

No continente europeu, a francesa Mistral adotou estratégia semelhante com o lançamento de seu novo modelo, o Mistral Large 4 (também conhecido como le Chonk). Projetado para apresentar alta eficiência em setores estratégicos como segurança cibernética, programação e finanças, o sistema busca entregar performance comparável aos melhores modelos abertos asiáticos por uma fração do preço cobrado pelas líderes dos Estados Unidos. Considerada a principal startup de inteligência artificial da Europa, a Mistral captou € 3 bilhões em uma rodada Série D, alcançando um valuation de € 21 bilhões, conforme reportado pela imprensa internacional.


Fonte original: Brazil Journal