O cenário do primeiro turno das eleições é observado de perto pelo mercado financeiro como um potencial catalisador para o desempenho de ações de companhias dos setores de energia elétrica e saneamento. Embora lideranças empresariais não antecipem rupturas na continuidade da agenda de leilões de concessões e nas diretrizes setoriais independentemente do resultado nas urnas, uma eventual vitória da oposição tem o potencial de reduzir as taxas de juros de longo prazo — aspecto fundamental para indústrias que demandam alto volume de capital.
Especialistas apontam que, caso o pleito aponte números favoráveis a Flávio, o mercado pode precificar expectativas de um ajuste fiscal mais rigoroso. Como consequência, o setor se beneficia por sua alta sensibilidade aos juros longos. Entre os ativos com maior probabilidade de abertura em alta estão as distribuidoras de energia e as empresas de saneamento.
Analistas destacam nominalmente companhias como a Energisa, focada em distribuição, e a Equatorial, com atuação multissetorial em distribuição e saneamento. Também entram no radar a Sabesp e a geradora renovável Auren, esta última evidenciada pelo seu patamar de alavancagem financeira. De maneira geral, a leitura predominante é de que os papéis do setor tendem a valorizar em caso de avanço da oposição, enquanto uma performance robusta de Lula poderia gerar recuos pontuais.
Apesar da volatilidade agregada tipicamente menor nesses segmentos de perfil defensivo, ativos específicos guardam alta sensibilidade direcional. Companhias detentoras de prazos de concessão mais estendidos tendem a capturar um impulso mais acentuado com a vitória da oposição, impulsionadas pela relação direta entre duration, nível de endividamento, capex e taxas de juros. Nesse contexto, a Sabesp e a transmissora Alupar despontam como potenciais destaques positivos.
Em contrapartida, em um cenário associado a Lula, empresas com menor duration e alavancagem reduzida tendem a performar melhor, com destaque para as transmissoras, tradicionalmente tratadas como refúgios seguros no mercado. Atores do UBS ponderam, no entanto, que o cenário prospectivo para a política fiscal e seu reflexo sobre os juros ainda carrega incertezas elevadas, diante de uma disputa eleitoral acirrada e dos desafios estruturais inerentes ao cenário político brasileiro.
Fonte original: Brazil Journal